Produzido antes do isolamento social, o EP traz 4 faixas e marca uma nova fase de experimentações da banda


Infante
Foto: Amanda Godoy / Divulgação

A banda de rock alternativo Infante, natural da cidade de Jundiaí-SP, está de volta com novo material em canções inéditas. Após mais de dois anos sem subir aos palcos e quatro anos desde do último disco, 1991 (de 2016), o grupo regressa com o lançamento do EP Retalhos e Pensamentos Mal Costurados, nesta-sexta-feira (23).

Apesar do novo trabalho ter ficado pronto apenas em 2020 no meio da pandemia, todo o processo durou aproximadamente 2 anos segundo Caio Molena (voz e guitarra): "começamos a compor as músicas em 2017, mas só após 2018 começamos a gravar. Gravamos as guias no final de 2018, as guitarras e baixo na metade de 2019 e os vocais em meados de outubro de 2019. A masterização foi a única coisa feita em 2020".

O processo não foi tão rápido e simples, mas o tempo de maturação se mostrou essencial para que a banda fosse capaz de explorar novas sonoridades além do rock alternativo, característica muito presente nos trabalhos anteriores. De forma mais sutil e flutuando pelas nuances, percebemos que a banda trouxe mais para perto o indie rock e a música brasileira no geral, tanto que no final da canção "Paraíso Particular", que abre o EP, somos contemplados com acordes de violão que remetem à MPB e Bossa Nova.

Com melodias mais ousadas e sem ficar preso nas distorções e vocais rasgados, a Infante construiu canções que retratam o amadurecimento em relação a tudo: música, pensamento social-político, relacionamento e a introspecção de estar consigo a todo instante, muitas vezes, completamente sozinho.

No total são quatro faixas, sendo três delas inéditas: "Paraíso Particular", "Novela Mexicana" e "Se Você Tivesse Um Encontro Com Você Mesmo, Levaria Flores?". No final de agosto, a banda lançou o single "Vem e Vai", que fecha o EP.


Faixa a Faixa


Paraíso Particular

Fernando Lodi: "Literalmente acordei de madrugada a um bom tempo atrás, peguei a guitarra e fiz e essa música. Meio que fala sobre retomar o conforto nos momentos sozinhos e a vontade de fazer coisas mesmo que com certo receio e insegurança. A sonoridade vem bastante inspirada em Twinpines, Polara e música brasileira, mas nesse aspecto são mais os acordes usados, até por conta disso o sambinha no final."


Novela Mexicana

Caio Molena: "Eu me inspirei um pouco na música de abertura do seriado Narcos, "Tuyo", em 2017 eu estava viciado na série. A letra fala sobre meu problema de visão (ceratocone) e do fato de não conseguir enxergar nada quando não tem luz. Claro que se falasse literalmente disso, a letra não iria ficar tão boa, então coloquei outras coisas no meio só para ficar mais dramático mesmo."


Se Você Tivesse Um Encontro Com Você Mesmo, Levaria Flores?

Fernando Lodi: "Uma música que fala sobre pensar se você já está no momento de ser gentil consigo mesmo, se aceitar e coisas assim, uma vez que você é a pessoa que mais convive com você mesmo, se enfrentar, se analisar e etc. A sonoridade também vem bastante do Twinpines, principalmente na relação entre os riffs de guitarra e bateria e o uso de som limpo nas bases, entre outras influências de bandas dos anos 90."


Vem e Vai:

Caio Molena: "Eu tinha gravado uma demo dela em 2014, na lavanderia da casa da minha avó. Na época era viciadíssimo em Wavves, e na demo fica claro. Na versão final, que foi o single, não usamos tantos efeitos na voz (a não ser no refrão, que usei um pedal de distorção para gravar a voz, ligando o microfone no pedal, o pedal no amplificador e outro microfone para captar o som que saía). O mais incrível é o solo, que o Lodi fez dois takes tocando exatamente da mesma forma. Para quem grava, todo mundo sabe o quanto isso é difícil, ainda mais quando se trata de solo de guitarra, então foi uma das coisas mais incríveis do EP."


Você pode ouvir abaixo ou se preferir, acessar este link e escolher sua plataforma de streaming favorita.





Ficha técnica:

Vocais: Caio Molena e Fernando Lodi

Baixo: Guilherme Lucas

Guitarras: Caio Molena e Fernando Lodi

Bateria: Caio Molena e Danilo Guarniero (composição)

Mixagem, Produção e Masterização: Caio Molena e Fernando Lodi

Gravação: Estúdio Jardim Elétrico

Capa: Fernando Lodi

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